Subida a um exercício

Vazio. A folha em branco da subida aponta para o cume do que não alcanço. Dou mais um passo na palavra e a caneta vai. Continuo a subir.

O fim está do outro lado da intenção e alcança-lo só depende de mim. O suor que me escorre da imaginação não me deixa ver o caminho. Tropeço no desencanto e caio. O ar rarefeito do destino empurra-me na direcção do levantar. Continuo a subir.

A proximidade do sol derrete-me a esperança literária, mas não desisto. Insisto. Abraço a caminhada final com uma frase em frente da outra. Os pés enterram-se no gelo da ocasião e o cimo já não é ontem.

O silêncio reina a toda a volta. Apenas a minha respiração me lembra do caminho que tem que ser. Continuo a escrever… passadas de subida.




P.S. – Só porque o mandou publicar, chefe!

CLUBE DE LEITURA - Comente o 1, leia o 2.

Uma semana depois, conforme combinado entre todos (aqueles), começam os comentários do milénio sobre a Millennium. Não percam a oportunidade de justiçar as vossas opiniões acerca da primeira parte de uma trilogia (que segundo consta vai passar a quadrilogia):

- Millennium 1: Os Homens que odeiam as Mulheres – Stieg Larsson




Inicia hoje a leitura do segundo volume, com comentários garantidos daqui a uma semana:

- Millennium 2: A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo – Stieg Larsson



Neste segundo volume da trilogia Millennium, Lisbeth Salander é assumidamente a personagem central da história ao tornar-se a principal suspeita de dois homicídios. A saga desenvolve-se em dois planos que se complementam e só a solução do primeiro mistério trará luz ao segundo: Há que encontrar os responsáveis pelo tráfico de mulheres para exploração sexual para se descobrir por que razão Lisbeth Salander é perseguida não só pela polícia, mas por um gigante loiro de quem pouco se sabe.

«...de boa leitura, escrito com persistente e tranquila clareza, com um sentido do bem e do mal que por vezes faz pensar em literatura juvenil (para adultos) e com um elenco de personagens que conseguem ao mesmo tempo ser excêntricas e ter alguma profundidade.»
Revista Expresso

«...muito suspense ,muitas cenas de acção e um final extraordinariamente inverosímil. O golpe de génio de Larsson é assumir os estereótipos narrativos e dar-lhes a volta, criando com eles um labirinto de desafios intelectuais que o leitor percorre avidamente...»
Revista LER

«Lê-se sem esforço, muito pelo estilo de escrita de Larsson, pela espessura dos próprios personagens, pela riqueza do detalhe que leva o leitor até uma Suécia diferente daquela que imagina. Uma Suécia obscura, povoada por personagens não menos obscuros, vindos de um passado que não se sabe se distante ou próximo, fantasmas que ensombram o presente.»
Os Meus Livros

Melodias de Sempre

António Ébano e Maria Mármore estavam de costas voltadas para o entendimento. Faziam do equívoco o desafinar da melodia e por muito que se apertassem as cordas, nada soava a tranquilidade. O destino músico bem se esforçava por seguir a pauta da vida mas a razão não resistia ao compasso da discórdia.

As teclas brancas olhavam de soslaio para as teclas pretas. O clima de suspeição deixava cair uma névoa de tristeza e rancor que não permitia ver sorrisos por trás da cortina. Eles até existiam. No entanto, estavam pintados de orgulho. Os acordares eram avessos e os adormeceres angustiados. Ambos choravam por dentro mas no silêncio da dúvida.

Contra explanação, um milagre aproximou-se do piano exactamente um ano depois do seu último concerto. Mandou as pautas da discórdia para o chão e substituiu-as pelo andamento futuro. Sentou-se, aqueceu bem as mãos e começou a tocar.




Uma doce melodia de entendimento encheu o ar do momento enquanto António e Maria subiam e desciam comandados por uma vontade que não percebiam. Todas as teclas se uniam na razão de uma música de sentimento, pautando cada nota pelo aprimorar do mais puro dos sons. Os suaves compassos do fundamento preenchiam os espaços do silêncio com colcheias de tudo o que sempre foi.

Finda a música, o milagre (do Amor) levantou-se, recolheu as suas folhas e partiu para outros pianos. António e Maria abraçaram-se de emoção e perdoaram os anteriores silêncios cantando em uníssono. Na escada do futuro selaram a conquista com um beijo. E que beijo!

FRASEANDO #28

Para que serve esclarecer os equívocos se as causas persistem?

Jean Paul


Johann Paul Friedrich Richter
(1763 – 1825)

CLUBE DE LEITURA – Millennium mania.

Tá dito, tá dito! As vontades terciárias de todos ditaram que A trilogia Millennium de Stieg Larsson arrebatasse a concorrência com 83% dos votos. Por sugestão de vários membros (me, myself and i) vamos ler um de cada vez porque cada um deles merece a honra de ser comentado. Não impede que agora, durante ou no fim se comente com enquadramento no todo.

Ao ritmo de um por semana (até porque quase todos já leram) iniciamos com o primeiro dos três (como se isso fosse normal numa trilogia):

- Millennium 1: Os Homens que odeiam as Mulheres – Stieg Larsson



Mikael Blomkvist é um jornalista de meia-idade, divorciado, que tem passado a sua vida a denunciar a corrupção do mundo dos negócios de Estocolmo na sua revista Millennium. Quando Henrik Vanger, um poderoso empresário, o convida para um trabalho de investigação, Mikael tem nas mãos material irrecusável. Mas para sua surpresa descobre que, desta vez, esse material não tem nada a ver com escândalos financeiros, mas com o desaparecimento da sobrinha do empresário, Harriet, 36 anos antes, num encontro de família. Com a ajuda da sua nova e rebelde parceira, Lisbeth Salander, uma hacker de alto nível com problemas de comportamento social, irão desvendar muitos segredos da família de Henrik, até então escondidos na penumbra.

Grande cão… certo!

Certo é que o domínio de uma arte, de um objecto, de um instrumento é sempre algo de sublime. Então quando se exerce esse domínio com a mesma naturalidade com que se respira, tudo se torna eterno e único. As notas desfilaram nos nossos interiores com a suavidade transmitida por um ancião musical, um mestre de melodias mais ou menos conhecidas, mas todas com um toque de magia.

Mais que o intérprete, louvo o criador. O criador de sonoridades que acompanharam grande parte da nossa existência sem muito complemento visual, mas que simplesmente sempre estiveram lá. Juntar, desta vez, a imagem ao som e ainda por cima a solo, teve o condão de nos fazer voar pelos sons rendidos à arte. E que arte. António Pinho Vargas A Solo, encheu um palco inteiro sem precisar de mais ninguém. Imperdível. É nestes pequenos pormaiores da vida que agradeço as oportunidades que se desfilam nas nossas existências. Obrigado pela lembrança e pela surpresa!

Embora as vivências não se transmitam com a mesma emoção com que se recebem, aqui fica uma das minhas favoritas que me acompanha o imaginário, felizmente real, desde 1987. Sem mais palavras que o momento é mais de ouvir do que de ler…


Eles lançaram... e eu apanhei!

Romanov nasceu na Roménia e era o nono de nove irmãos, não se sabe bem de onde lhe veio o nome mas era Vampiro de formação. Vivia em Portugal há cinco anos, onde nunca exercera, e trabalhava nas obras. Sempre ganhava mais cá a ser explorado no mundo do betão armado, em parvo, que na Roménia a explorar pescoços cinzentos.

Soube por um colega trolha, também Romeno mas não Vampiro (parece que na Roménia tinha sido ministro das Obras Públicas), que ia haver o lançamento de uma colectânea de contos de Vampiros na Cantina Lx pelo entardecer da noite de quinta-feira passada. As saudades impeliram-no na direcção da curiosidade. Assim foi (e foi mesmo que eu vi-o lá).

Mal chegado, brindaram-no com uma magnífico cocktail de beterraba picante (que já não bebia desde os seus tempos de Vampiro caloiro na faculdade). Comprou logo um exemplar da colectânea que começou a devorar enquanto esperava. Começada a cerimónia, várias almas penadas se aprontaram a sentar. Uns atrás da mesa, outros à frente. Romanov depressa percebeu que os que se sentaram do lado de trás eram os autores, pálidos de tanto se terem esvaiado em sangue literário. Iniciada a contenda, o mestre de cerimónias (também branco mas por doença e que lhe fazia lembrar o seu antigo professor de Mordidelas de Escrita Sangrenta II) esgrimia apresentações e perguntas enquanto os autores se deliciavam com dentadas de argumentação em pescoços de leitores e fãs.

Quando finalmente se acendeu o final, teve ainda tempo de pedir autógrafos e trocar impressões de Vampiro experimentado. Orgulhosamente chegou à conclusão que a sua experiência vampírica e empírica, lhe davam o destaque silencioso de quem já provara verdadeiramente o sangue. No entanto, o alho da crítica literária aguçava a sua curiosidade e correu (voou?) para casa onde só parou de ler na manhã do dia seguinte, ou seja ontem.

Arrasado mas satisfeito, arrastou-se cheio de sono para o seu destino de cimento, já com um atraso de uma hora. À chegada foi brindado com um sonoro, mal cheiroso e estridente (até porque só se viam três dentes):

- Olha lá oh Romeno! Não te pago para chegares a esta hora!

Foi o último som que saiu daquela garganta. Mesmo sem licença para exercer em Portugal não resistiu à dentadinha da saudade.




P.S. – Parabéns para a Susana, que de entre todos deu a dentada mais apetecida... a de estreia!

QuadriBar – Exercício de Cão Traste

Traste 1

Já só conseguia ter um olho aberto e mesmo esse só dava imagens desfocadas. Entre a neblina da indecisão parecia-me ver tudo castanho-brilhante. Algumas indagações mentais mais tarde, percebi que tinha a cabeça sobre o balcão. Estava de volta ao bar. Decidido a combater a inércia abri o outro olho.

Agora via tudo em amarelo-torrado com oscilações. Estava a ver através do copo de uísque. Numa tristeza sorridente pensei que não deveria ser possível descer mais baixo na escala da humilhação (ainda bem que estava encostado ao balcão!) e chamei a mim todos os sentidos necessários à operação levantar de cabeça: equilíbrio, orientação, força e força de vontade. Cinco minutos depois a operação revestia-se de sucesso. Embora um bocadinho oscilante, a cabeça encontrava-se na verticalidade possível.

Sobre o balcão estavam sete copos cuidadosamente alinhados. Em comum tinham o facto de estarem vazios. O oitavo, o que ainda tinha líquido, estava mais próximo de mim por dois motivos: primeiro era o único que estava ao alcance da mão sem ter que esticar o braço, segundo eu já tinha olhado através dele e por isso conhecia o seu interior como ninguém.

Entretido com os meus pensamentos tão pouco sóbrios nem reparei nos acontecimentos seguintes.


Traste 2

Desapertei o botão. A porcaria da gravata que não servira para nada, já me começava a apertar os nervos. Decidi soltá-los. Que bons estes amendoins. – Dê-me outra tacinha, por favor.

Um gole pequenino que isto tem que durar. Venho a este bar todos os dias, bebo um uísque com dois dedos de água e uma pedrinha de gelo todos os dias (com muitos amendoins!), sento-me no mesmo banco todos os dias, encosto-me ao balcão todos os dias. Todos os dias trago um fato diferente, todos os dias venho de uma entrevista diferente. Que merda de rotina. Continuo desempregado! – Outra tacinha, por favor. – São mesmo bons.

Cada carta da (in)segurança social aumenta-me as pulsações do desespero e a sede! Não fosse a minha escassa liquidez e o líquido aumentava. Aqui devem pensar que sou forreta. Se eles soubessem que não tenho mais… mas os amendoins são mesmo, mesmo bons.

- Outra tacinha, por favor.



Traste 3

Nem o decote me valeu, aposto que o editor é gay. Já revi o romance três vezes e mesmo assim ele diz que ainda não está bem. É sempre a mesma conversa de que eu tinha prometido tanto com o meu conto das Bicicletas 5 e que era uma romancista nata e blá, blá, blá…

- Um uísque com Água Castelo, por favor.

Que estúpido! O que é que ele percebe de romances?! Eu merecia publicar e ainda não consegui mais que um conto neste livro: Bicicletas para Memórias & Invenções 5 - Colectânea de contos dos alunos da Companhia do Eu. No entanto, anda sempre comigo. Não consigo é abri-lo mais. Fica pousado sobre o balcão.

- Um uísque com Água Castelo, por favor.

O gordo já está outra vez a deixar cair a cabeça e o desengravatado não deve ter conseguido arranjar emprego ainda. Que nojo! Já não posso ver as mesmas caras todos os dias. Na verdade, não sei o que venho aqui fazer todos os dias.

- Um…
- … uísque com Água Castelo?
- Obrigada.


Cão 4

Fechei a porta com o estrondo habitual de quem foge da chuva. Sacudi a gabardine, pendurei-a. Sacudi o chapéu, deixei-o no cesto. Lá dentro o tom castanho-fumo escondia os bêbados do costume: o meu outro Eu já deixava cair a cabeça no balcão. Tinha sido o primeiro a chegar e era pela linha temporal o mais bêbado.

O Personagem 1 que devia ter chegado pouco depois, mastigava os amendoins com a boca toda. Como era a única coisa que não se pagava, era o que repetia mais vezes. O uísque devia ser o primeiro, a julgar pela habitual característica forreta. Cada dia um fato diferente e a esta hora sempre com a gravata desapertada de frustração. Não se desse o caso de ser meu irmão e nem sequer me preocupava em dirigir-lhe o olhar. Cumprimentei-o com a indiferença que pautou toda a nossa vida.

Ao seu lado, a Personagem 2, terceira da ordem de chegada trazia o seu livro do costume: Bicicletas 5. Nunca o lia, mas adorava usá-lo como base para o copo. Já era a terceira vez que eu lhe recusava o romance, mas a verdade é que a gaja não escreve nada e não percebe que só a recebo por causa dos decotes. Não sei porque é que ela insiste em frequentar o mesmo bar que eu. Deve ser para me fulminar com aquele olhar de fundo de balcão, via uísque com água castelo.

Aproximei-me do meu outro Eu, o que me era mais familiar pelo narciso entendimento, e perguntei-lhe o que é que eu ia beber.

- Um uísque duplo sem gelo. – Respondeu ele virado para o barman em tom de pedido e antes de voltar a deixar cair a cabeça.

Brunorix McFerrin

Humpf, humpf, humpf, pássaro preto! Bum, tum, tum, tum, bum, tum, tum, pássaro preto voa! Humpf, humpf, humpf.

Brrrrr, put, put, put, pássaro preto voa! Humpf, brrrr, bum, put, pássaro preto voa! Pum, bum, na direcção da luz na noite escura! Humpf, humpf, humpf.

Humpf, humpf, humpf, pássaro preto! Bum, tum, tum, tum, bum, tum, tum, pássaro preto voa! Humpf, humpf, humpf.

Brrrrr, put, put, put, pássaro preto voa! Humpf, brrrr, bum, put, pássaro preto voa! Pum, bum, na direcção da luz na noite escura! Humpf, humpf, humpf.

Humpf, humpf, humpf, pássaro preto! Bum, tum, tum, tum, bum, tum, tum, pássaro preto voa! Humpf, humpf, humpf. Estavas só à espera deste momento para te elevares! Humpf, humpf, humpf.

Brrrrr, put, tum, bum… humpf!



Impressionantemente Bobby McFerrin

Pronto é assim, o ambiente anda musical. Talvez seja para compensar a falta de palavras ou então apenas um atraso nas descobertas. A verdade é que este senhor é brilhante e não posso deixar de o dizer… e mostrar!


Blackbird





Drive

M18 – Contos Lúbricos XVI (um regresso curto, mas com música!)

Preâmbulo: Embora não obrigatório, é fundamental envolver a escrita com esta música.



Sentiu a madeira fria nas pernas. Esticou o arco com o número de voltas certas. Pôs resina. O primeiro contacto do arco com as cordas produziu o mais melodioso dos arrepios. A vibração das cordas tornava o momento excitante. O corpo do violoncelo, encostado ao seu tornava-os num complemento. Ambos nus.

Nota após nota o seu calor aumentava num tom de prazer aveludado. As pernas abertas, encaixadas à volta do instrumento deixavam sentir uma suave brisa no seu interior cada vez mais húmido. Os olhos sempre fechados ouviam em uníssono o abraço daquela música desconcertante. O arco bailava para trás e para a frente numa dança de volúpia musical, ora devagar, ora depressa, Pianíssimo…

Alguns compassos depois o violoncelo beijava-lhe o seio cada vez mais rijo de tanto tocar. O arco não parava e o instrumento também não. O corpo de madeira, agora não tanto, agarrava-se ao seu tronco impecavelmente erecto na mais clássica e correcta das posições. As pernas apertavam cada vez mais o violoncelo mulher enquanto a vibração das cordas se deixava embalar num beijo de línguas compassadas.

As folhas da pauta viravam com vida própria enquanto os dedos do violoncelo deslizavam pelo interior das suas coxas na direcção de um orgasmo que se adivinhava no virar da próxima página. O arco seguia já quase sem resina numa incansável massagem de erotismo barroco. Os seus seios pediam beijos ao mesmo tempo que os dedos seguiam ao ritmo do arco. Suores quentes e frios misturavam-se em colcheias de prazer. A página virou.

A partitura exaltava o momento e pedia o último compasso Prestíssimo. O arco exausto suava na luxúria do andamento que se atingia. Beijos dedos e outras notas corriam contra o inevitável. O tempo não esticava e os corpos atingiam o auge. Soou a última nota de uma corda agora vocal: o gemido foi tão intenso que o livro de pautas se fechou. Um orgasmo em apoteose deixava manchada a cadeira da verdade. A música terminara despedindo-se numa ofegante respiração quase silenciosa.

Uma batida agitada na porta acordou o momento:

- Maria! Estás a ensaiar há duas horas, não é melhor fazeres uma pausa filha?



O Solista (depois de ler já se pode ouver*).


Idos os tempos em que no Clube de Leitura se devoraram os acordes lidos desta impressionante história de vida. Verdadeira, para acicatar os espíritos mais incrédulos e os amantes da ficção. Aqui, tudo aconteceu e o filme, tal como o livro, quase podia ser um documentário de tão próximo que está dos acontecimentos originais. No entanto, se fosse um documentário passava despercebido da maioria. Se o livro já tinha os seus pozinhos de ficção, o filme acrescentou uns quantos mais não deixando de contar o mais importante, e sobretudo, talvez o verdadeiro âmago de toda a trama: a crítica social. Bang! Em cheio.

Em termos mais cinéfilos é de salientar a boa interpretação de Robert Downey Jr e a MUITO boa interpretação de Jamie Foxx. Além do substrato todo já falado, ainda saímos da sala com a mais transversal de todas as linguagens no ouvido: a música. Faça-se ouvir.






E para lembrar que as histórias reais não acabam no fim dos filmes ou no último capítulo dos livros, aqui ficam as caras verdadeiras, com as suas vidas verdadeiras e as suas histórias sobre a verdade.





* - Ouver é uma conjugação entre o cinema e a música. Neste filme tem que se ouvir o que se vê!