Solo de guitarra… sem guitarra.

Como se fosse essencial ter uma guitarra para tocar guitarra. O que é preciso é originalidade e muita, muita qualidade. Para manter a linguagem universal da música basta ter garganta, sobretudo uma que encanta!




P.S. – Powerd by

Olhá bela da t-xarte! – II


Ainda o sol não sabia que era dia e já a necessidade se levantava na direcção de uma feira que não era Terça por ser Sábado, na expectativa de uma Ladra que vendia o que era seu. O pensamento positivo de que o que tem que ser tem muita força, ajudou a abraçar a saída nocturna com a tralha pelas costas.

A confusão era geral e fazia-se acompanhar por um frio fininho que insistia em dormir do lado de dentro da única roupa que não era para vender: a do corpo. Por todo o lado se instalavam pertences em esperanças de 2 por 2 (metros) com licença! Passe, passe que eu também a paguei e não vejo cá o nome de ninguém. Por acaso hoje pode ficar aí que a senhora não vem. Ainda bem. Siga a venda!

As primeiras conquistas fizeram-se ainda sem luz e logo no desembrulhar da coisa. A mercadoria ainda nem assentara no expositor e já alguém as cobiçava, e levava. Sempre ao preço certo. Nem mais nem menos. É escolher.

JBJ Lda., fizeram da parceria a alegria da troca quase directa, como o sono, e não perderam o sorriso na disputa. Começar por cima, rir de baixo e chegar a acordo lá pelo meio. Visitas, fizeram-se sentir em doce recordação. Obrigadão!

Tire lá qualquer coisa que ainda tenho que fazer a bainha. Tadinha. Tome lá o desconto, por causa do ponto, mas não leva saco. Se levar cinco só paga quatro. Ai que é tudo tão pequenino, quem me dera caber aí. Não há problema que o tecido estica. Olhe que isto é verdadeiro. Epá calma que eu vi primeiro.

Um ano e meio volvido e com a mesma música 8 ali do lado, a inclinação da aventura relembra depois de 11 horas a satisfação das dores nas costas. Gostas?! A causa é boa e assim tudo se aproveita, tá a conta feita.




P.S. - É de salientar a avidez com os clientes escolhiam a mercadora...

Contos deste ano #8

O Valor sentou-se na Dúvida e pensou quanto valeria tudo o que vale qualquer coisa. Qual não foi o seu espanto, quando a pensamento tanto, se apercebeu que no valor tudo poisa. Levantou-se da Dúvida (que entretanto já se queixava do peso) e sentou-se na Convicção onde um pensamento mais teso já lhe fazia comichão.

Deixou-se comichar valorizando o Sentimento, até que a dado momento, sentiu prazer. Não daquele de sentir, mas daquele de se ver. Igualmente bom de cheirar, sorriu no que estava para vir e no que acabava de chegar. Seria o valor do sentimento?

Dois assentamentos mais abaixo, valorizou o Dinheiro. Que cheiro! Empestado de manipulação, não dizia que sim, mas também não dizia que não. Sentiu o ódio e a felicidade unidos na mesma puberdade. Que valor seria aquele, na verdade?

Sentado agora no valor de cada Nota, sentiu-se primeiro idiota e depois, cuspiu na derrota. Seria musical? Talvez fosse classificação, embora essa nem sempre tenha razão. Deixou-se atribuir, em jeito de pauta e musicou o plural do seu sentir: 20 valores!

Cansado de tanto se sentar o Valor levantou-se no destino e concluiu, para acabar, que tudo o que vale não tem tino e que o nada vale o que quisermos dar. Será que isto vale alguma coisa?



Millennium 1 - Män som Hatar Kvinnor


Filmes de livros, livros de filmes, livros filmados, filmes livrados. Livra, que é sempre a mesma questão… claro que é muito difícil “enfiar” 600 páginas de um romance em 120 minutos de imagem. No entanto, depois de adorar o livro adorei o filme.

Nada substitui o prazer da palavra e a ânsia de virar páginas para saber mais detalhes do mistério, mas também nada substitui a imagem e o estímulo visual que nos faz pular na cadeira. Por isso, não se comparam os campos da ficção… complementam-se!

As versões estão muito parecidas e no filme “apenas” alguns pormenores foram alterados. Se leram o livro vejam o filme, se viram o filme leiam o livro, se não fizeram nenhuma das coisas aproveitem e façam as duas.



CLUBE DE LEITURA – Próximo!

Livros da moda. Esse fenómeno que nos faz ler em massa. Às vezes uma maçada, outras nem por isso. Aderimos a alguns, recusamos outros, mal dizemos outros tantos, mas há sempre um ou outro a que não conseguimos resistir. Estilos muito diferentes, como é apanágio aqui do Clube, juntam do mais clássico ao mais recente.

A próxima votação será entre alguns desses fenómenos, todos sobre a forma de trilogia. Depois de uma dose dupla, nada melhor que uma dose tripla! O desafio será ler os três livros da colecção mais votada e comentar o todo, ou cada um, ou como entenderem. A vossa justiça dirá se a massificação é merecida ou não. A ver:


1 – O Senhor dos Anéis – J. R. R. Tolkien (John Ronald Reuel Tolkien)

1.1. - A Irmandade do Anel
1.2. - As Duas Torres
1.3. - O Retorno do Rei



2 - Millennium –Stieg Larsson

2.1. - Os Homens que odeiam as Mulheres
2.2. - A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo
2.3. - A Rainha no Palácio das Correntes de Ar


3– Mundos Paralelos – Philip Pullman

3.1. - A Bússola Dourada
3.2. - A Torre dos Anjos
3.3. - O Telescópio de Âmbar


Um abraço de 2 metros com bigode

Veio de longe com uma mala cheia de boas intenções na mão. Trazia no olhar a tranquilidade própria, misturada com a estranheza da vida polvilhada por um espanto quase inocente. As palavras saíam em acordes de melodia familiar embaladas por doses certas de preocupação.

Demorou trinta e cinco anos a chegar, mas não tardou a ocasião. Também não se fez ladrão, nem criou confusão. Apenas veio. Sincero, sem merdas. Franco de amizade, soube a pouco o tempo e a partilha.

A geografia da vida não permitiu outros tantos, mas criou linhas. Linhas de respeito e admiração. Linhas de orgulho e até algumas de inveja. O comboio do regresso levou a mala menos cheia de confusões, mas carregada de momentos. Foram intensos. Na estação ficou a saudade. No mínimo que se repita.

Obrigado por teres vindo… abraço!


O regresso dos Exercícios

Premissas: Alguém está a cortar algo com uma faca (carne, peixe, fruta ou legumes).
Exercício 1: Descrever a cena dando uma noção de irritação da pessoa.
Exercício 2: Descrever a mesma cena como se estivesse a fazer amor.
Tempo: 5 minutos cada.


Exercício 1

O primeiro golpe acertou no dedo, o segundo na cenoura e o terceiro no tomate. O quarto, que já foi com o cabo, esborrachou em vez de cortar. A vítima foi o alho francês.

Recomeçou. Desta vez não foi ao dedo, mas não deu hipótese à cenoura e ao tomate. Quanto ao alho francês, esse já estava morto. Repetiu tudo incluindo o dedo. Imbuído de espírito cortante, cortou tudo: cenoura, tomate, dedo. Cenoura, tomate, cenoura. Tomate, dedo, tomate, cenoura, dedo, dedo.

A faca saltava descontroladamente de um vegetal para outro. O tom avermelhado dos vegetais sobre a mesa indicava que várias vezes voltara aos dedos.




Exercício 2

O primeiro golpe acertou no dedo. Foi o primeiro arrepio. O segundo acertou na cenoura, as pernas tremeram. O terceiro acertou no tomate com um lascivo poder de corte. O quarto que foi mais esfregado que cortado, esborrachou um erecto alho francês.

Recomeçou. Desta vez não foi ao dedo mas penetrou a faca na cenoura e no tomate. E penetrou de novo. A cenoura e o tomate pediam mais. Agora com as duas mãos.

- Espeta-me outra! – Gritou a cenoura.
- Não te esqueças de mim… – Gemeu o tomate.

Mãos, cenoura, tomate e facas dançavam descontroladamente. Surgiu sangue sobre a mesa, um deles ficara mais experiente. Afinal não. Tinha-se cortado.

FRASEANDO #27

Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional.

Roger Crawford

(Roger Crawford)

Certezas


Desviados os caminhos da escrita, procuro na base do pensamento o tempo. O tempo que foge às letras e que acumula vontades em página vazias de emoção. O tempo que fecha a torneira da inspiração deixando apenas um gotejar de esperança. O tempo que cobre as janelas da alma enquanto um raio de sol insiste em espreitar por trás da oportunidade. O tempo que não rega o jardim dos livros e que deixa secar as folhas da palavra.

Já é tempo de encontrar esse tempo.

Desviados os caminhos da escrita, procuro na base do pensamento a dúvida. A dúvida que me assola o lápis em cada linha. A dúvida que não me deixa mergulhar no futuro. Essa mesma dúvida que faz gritar o silêncio ausente em cada poema deixando surdos os entendidos. A dúvida que chora na apatia do momento.

Não há dúvida que a dúvida está desfeita.

Desviados os caminhos da escrita, procuro na base do pensamento a paixão. A paixão que faz nascer a palavra pensada, que a faz viver escrita e que a mata em suaves golpes de leitura. A paixão que entorna o copo cheio do amor por cada livro. A paixão da doce partilha caramelizada em cada sonho salgado.

A paixão pela paixão está viva.

Desviados os caminhos da escrita, procuro na base do pensamento a ideia. Finalmente arranjei tempo para que não houvesse dúvida que a paixão pela ideia estará sempre por aqui.

The Sound of Words – XIX

(Chinês no psiquiatra)

- Ando assim desde que tlabalho naquele lestaulante…
- Mas o que é que sente?
- Não sei doutol… sinto-me flágil!





P.S. – É um leglesso… culto, mas um leglesso!

CLUBE DE LEITURA – Ronda dupla em tudo (até no atraso)

O trabalhus horrendius (já em nível 3) tem boicotado esta duplicidade de leitura. Os membros (do Clube) batem à porta do Bilhete em exasperada ansiedade comental (de comentário) e fazem fila nas suas opiniões. Uma ínfima nesga abriu-se na janela da oportunidade e tendo conseguido roubar escassos minutos ao tal horrendius, aqui lanço a bóia de sugestão. Agarrem-se!


- O que diz Molero – Dinis Machado


“Mesmo que não tivesse escrito mais nada, um romance chegava para lhe garantir um lugar de destaque na Literatura do século XX. "O Que Diz Molero" é o título do livro, Dinis Machado o seu autor.

Publicado pela primeira vez vai para trinta anos, a história narrada por Austin e Mister Deluxe tornou-se num êxito sem precedentes e modificou a vida do homem que a criou: de um dia para o outro, viu-se projectado para a primeira linha do reconhecimento do público, da crítica e, mais difícil ainda, dos seus pares. Tudo com uma história simples feita de muitas histórias.”




- O Último Cabalista de Lisboa – Richard Zimler


“Lisboa, Páscoa de 1506. Na cidade assolada pela seca e pela peste, cerca de 2 mil cristãos-novos são perseguidos, tendo seus corpos sido queimados nas fogueiras que ardem no Largo do Rossio, no centro da Capital Portuguesa. Assim, tem inicio um surpreendente e fascinante livro, cheio de suspense e de descrições precisas da cidade de Lisboa; misturando factos históricos com o mistério do assassinato do mestre cabalista Abraão Zarco.”


Opiniões aceitam-se, pedem-se, dão-se, recebem-se, suplicam-se e exigem-se! Não deixem calar o que vos vai na alma. Em época de direitos individuais façam valer o que vos opina. Vota Clube de Leitura!!

"Sacana"

Epá, oh Tarantino! Se eu já gostava dos teus filmes anteriores (sim, vi todos) este adorei. No dia dos 70 anos do começo da II Guerra Mundial, nada melhor que escrever sobre a ideia de acabar com o III Reich de maneira tão original (e cinéfila). A mim, pareceu-me brilhante. Para além disso, estão lá os teus ingredientes do costume: a sátira a certas categorias de filmes, o humor, o sangue (muito!), a narrativa por capítulos, os planos de câmara sempre diferentes, enfim, a delícia de qualquer fã.

Sacanas sem lei, um filme que cada um devia ser obrigatoriamente livre de ver se tiver amor à vida… de cinéfilo!






Os tempos que passaram, férias e não férias, trouxeram filmes em catadupa (obrigado cartão mágico) e a necessidade de actualizar o cartaz aqui do Bilhete. Estes foram vistos recentemente:


A Dúvida



O Wrestler



A Proposta



Duplo Amor



O Rapaz do Pijama às Riscas



Inimigos Públicos



Um Amor de Perdição