Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

CLUBE DE LEITURA – No mínimo, 333 opiniões

E ao sétimo livro deu-se o advento da boa leitura. Próximo pela distância de não o conseguir igualar e longe por estar tão perto de alcançar, este 333 de Pedro Sena-Lino é uma ode ao estruturamento da escrita e à métrica dos acontecimentos. Uma ideia muito original (para mim a base fundamental de um bom livro) que nos transporta pelas 333 impressões de uma obra. Ou pelas 333 personagens? Ou o livro é a personagem?

Fundamentalmente, um livro que levanta questões e que deixa muito espaço à imaginação de cada leitor. Um livro não deve ser uma obra fechada, mas sim um local de portas abertas para cada um manobrar o seu veículo de entendimento. Deixemos falar quem sabe:

Quantas aventuras cabem dentro de um livro? Resposta: tantas quantas os seus leitores. 333 é a história das histórias das vidas tocadas por um livro profano que queimava como um livro sagrado. Pedro Sena-Lino leva-nos pela mão até um desses livros que, mais do que ser lido, lê e revela quem o abre. Rui Zink

Uma cornucópia de histórias através do tempo onde se prova que só o amor é imutável. As palavras do poeta ao serviço de uma grande imaginação fizeram de Pedro Sena-Lino um romancista. Dulce Maria Cardoso

É um hino. Ao amor. Amor pelo Livro, pela Palavra. Este primeiro romance de Pedro Sena-Lino faz muito mais do que contar uma história. Marie-Noëlle Ciccia (Universidade de Montpellier)



Poeta, romancista, investigador, declamador ou o que for, Pedro Sena-Lino é sobretudo um amante das letras que se deixa amar por elas. Esse amor é visível em cada linha que escreve, em cada sentimento que ensina e é assim que transpira palavras por cada poro deste romance.

Faço votos para que os (quase) 333 membros deste Clube façam gritar bem alto a opinião que lhes rasga o peito e que lhes incendeia a alma. Bramam as vossas sentenças e gladiem sentimentos, pois a chama do julgamento literário erguerá a sua ira sobre os que não se manifestarem!


P.S. – E já agora não esquecer as sugestões para a próxima leitura.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Entre Vista

Apanhado na curva da surpresa, respondi ao solicitado com a ansiedade do resultado. Depois de uma contribuição imaginativa, seguiu-se um testemunho. Foi sentido, foi verdadeiro e foi simples como todas as coisas boas. Gostei do resultado e ele pode ser lido aqui, ou aqui ou… Aqui!

Como a modéstia é uma característica de quem cria (eu pelo menos queria), pode também ser lida AQUI. Os escolhidos, são os afortunados do acaso e não fazem caso que outros sejam tolhidos. Obrigado pela escolha e prometo continuar modesto!




P.S. – RL: vista como liberdade de escrita na perspectiva de concordância com a imagem, claro!

A Caravana

Louvados os caminhos que nos levaram nesta Caravana. A seda que se sente, que se vê, que se vibra, transporta a emoção no sentido da cor. Os olhos trabalham muito e os ouvidos sentem cada passo dado no imaginário. O cheiro a qualidade já é habitual nas produções do Meridional e as despidas encenações vestem-se com muita magia.

Nas palavras dos próprios: O Teatro Meridional é uma Companhia portuguesa vocacionada para a itinerância que procura nas suas montagens um estilo marcado pelo despojamento cénico (absoluta verdade!) e pelo protagonismo do trabalho de interpretação do actor (mais verdade ainda!), fazendo da construção de cada objecto cénico uma aposta de pesquisa e experimentação (comprovo, eu vi!). As principais linhas de actuação artística do Teatro Meridional prendem-se com a encenação de textos originais (lançando o desafio a autores para arriscarem a escrita dramatúrgica), com a criação de novas dramaturgias baseadas em adaptações de textos não teatrais (com relevo para a ligação ao universo da lusofonia, procurando fazer da língua portuguesa um encontro com a sua própria história), com a encenação e adaptação de textos maiores da dramaturgia mundial, e com a criação de espectáculos onde a palavra não é a principal forma de comunicação cénica. (caramba! Onde é que assino?)



Mais uma sala a meio gás na realidade cultural do nosso país e no espanto da minha indignação. Entristece-me a indiferença e o desconhecimento. O medo de assistir a eventos menos mediáticos afasta as maiorias. Tenho pena… mas eu fui, continuarei a ir e a fazer o possível por divulgar.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Tempos (difíceis)


Já não há Verão. Este tempo que nem tem tempo para ser tempo, revolta em mim o Julho da memória quente. Onde é que ele foi?

Está frio de madrugada e o sol não presta. Mas que mer** é esta?!

As praias da vontade estão cheias de ansiedade. Compra-se sol (de)posto ANTES DE AGOSTO, vende-se este cinzento friorento.

Está frio de manhã e o sol não presta. Mas que mer** é esta?!

Os casacos do nojo cobrem-nos a pele do motim; enfim, corre um tempo em que o tempo nem chega a tempo e o atraso veste-se assim: com mangas.

Está frio de tarde e o sol não presta. Mas que mer** é esta?!

A sombra da vaidade irrita-nos o bronze da questão. - É verdade, tem razão, não teime. Passe cá amanhã pode ser que já queime. – Escondem-se as vergonhas do tempo, sem tempo nem tempo algum.

Está frio de noite e o sol não presta. Mas que mer** é esta?!




- Hoje o sol até queima a razão!
- … ok… desculpem a questão.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Mente Ira

A motivação que impulsiona as acções de cada um não se mede pela razão, mas sim pelo sentimento. O tribunal das relações pessoais não deve ser acutilante nos seus julgamentos. O espaço de respiração é exíguo e escasseia a margem de manobra dentro de cada obra.

O sufoco de cada pensamento medido ao milímetro da consequência, aperta a garganta da consternação e arranha o fundo da alma. Vamos com calma…

- As dotas sapiências de suas excelências, fazem o favor de me deixar sentir?

As pressões circundantes, as constantes, reduzem o pensamento individual e acrescentam desnecessárias questões. Meras ilusões. O produto da soma é a subtracção da diferença pela indiferença, acrescentando a sentença. Será isso que cada um pensa?

– Não pensem… sintam!

A mentira do sentimento interno chega aos poros da razão em pequenos afloros de verdade, sem consequência. O arrepio do destino arrefece a realidade do presente e afasta do pensamento o momento.


Senhoras e Senhores: bem-vindos ao submundo da mente!


Terça-feira, 7 de Julho de 2009

O Mistério Que Veio do Frio – (1ª Parte)

Dois gelados secretos, um lambido e um trincado, estendiam-se numa esplanada de gelo ali prós lados do Pólo Norte. Enquanto um lia o jornal, o lambido, o outro falava ao telefone com um primo, o chupado.

Gozavam umas, merecidas, férias de Inverno com muito descanso e muita diversão evitando conversas muito picantes para não se derreterem de riso. As manhãs eram passadas a esplanadar ao gelo e à tarde dividiam-se entre massagens a frio e sessões de congelador para tonificar a pele.




Tudo corria na mais tranquila das temperaturas, até receberem um telefonema da Arca Central Dos Congelados (ACDC) a dizer que tinham que interromper as férias e regressar com urgência ao quartel-general. Um arrepio de calor percorreu-lhes o pauzinho de madeira e a indignação estragou-lhes o corante. No chão, dois pingos de suor raivoso (um laranja e um ananás) ficavam para trás.

Vestiram dois pacotes à pressa e apanharam o primeiro carro frigorífico que saía nessa tarde. Como a viagem demorava cerca de 4 horas ligaram o i-phrio à internet para consultarem o g-mail (mail dos gelados) para saber se as últimas notícias fresquinhas ajudavam a perceber de onde viria tamanha urgência. Deu em nada.

Assim que chegaram à Central, galgaram escadas de ansiedade e foram directos à sala de reuniões, como lhes tinha sido indicado. Abriram a porta com a força da indignação que tinham e entraram no espanto:

- Agente Laranja, Agente Ananás, sentem-se! O assunto é urgente!

Gelaram, ainda mais, perante a voz suprema e mais fria da hierarquia. À sua frente estava “apenas” o gelado mor, aquele que nunca aparecia que nunca se deixava derreter, nem lamber, nem trincar. O único sabor que ninguém conhecia: Cornetius Epámaxis, o Presidente da ACDC!

Sentaram-se na sua pose mais profissional levantando o sobrolho adocicado e ajeitaram subtilmente as armas que traziam por baixo do pacote. Encheram o peito de ar e esperaram o aquecimento que aí vinha.

- Estamos a ser vítimas de espionagem industrial, a CIA (Capitão Iglo & Associados) infiltrou um agente nas nossas instalações! Um Douradinho! – Exclamou Cornetius enquanto esmurrava a mesa de raiva fria.

- Isso nem é problema! O último Douradinho com que me cruzei, nem chegou a ser mastigado! – Disse Laranja afagando a coronha da sua Magnum 44 Classic (6 tiros avelã com coronha baunilha pérola).

- Cuidado… as coisas não são bem o que eram. Estamos na era glaciar e estes mega Douradinhos agora são XXL!



- XXL, fritos ou por desembalar já liquidámos pior! – Acrescentou Ananás endireitando-se de convicção na cadeira. – Como quer que acabemos com ele? À garfada?

- Vamos com calma! Primeiro temos que sacar o que ele já sabe sobre a foto secreta da Eva Longoria que vamos usar em 2010. Parece que a querem roubar para colocar nas novas caixas de pastéis de bacalhau. A imagem do velho já não vende nada!

- Sacanas… - Grunhiu Laranja raivoso – um tiro de avelã no meio dos olhos e nem com arroz os queriam!


(continua)

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

FRASEANDO #25

Poesia é quando uma emoção encontra o seu pensamento e o pensamento encontra palavras.


Robert Frost
(1874-1963)

Domingo, 5 de Julho de 2009

Dois dias de poesia

Dois dias de poesia, quem diria, despertaram dragões de leitura racharam do peito armadura. Acendeu-se na alma o fogo da vontade escrita.

Dois dias de poesia, quem diria, fizeram calar preconceitos deixaram gritar outros feitos. Fugiram as vozes escondidas em envelopes de boca fechada.

Dois dias de poesia, quem diria, cantaram sons de outros tempos mostraram novos intentos. A música da arte em letras soou em pautas de descoberta.

Dois dias de poesia, quem diria, acordaram lides sabidas ouviram versões mais lambidas. Escreveu-se no destino dos sons a vontade dos deuses poetas.

Dois dias de poesia, quem diria, soltaram amarras de literatura suavizaram a escrita mais dura. Nos barcos do amanhã navegaram as frases de força sentida.

Dois dias de poesia, quem diria, ergueram torres no alto do sonho pintaram de azul o céu tristonho. Subiram-se escadas de palavras em passos de gigante leitor.

Dois dias de poesia?! Quem diria! 




Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

M18 – Contos Lúbricos XV (temperaturas de Verão)

Esplanada. Sol. Calor. Em cima da mesa, uma bebida com gelo deixava escorrer gotas de sedução pelo exterior do copo. Levou-o aos lábios e bebeu de olhos fechados aquele pequeno prazer refrescante. Os corpos pouco vestidos que iam passando, aumentavam ligeiramente a temperatura já quente.

Da mesa do lado uns óculos escuros pareciam seguir os seus movimentos. Atrás dos óculos, um cabelo liso de mel e avelã ladeava um pescoço fino em tom Verão torrado. Um curto vestido branco deixava adivinhar uma escultura divina moldada a mãos de experiência. Umas pernas torneadas a ouro indicavam sem pudor a direcção do desejo. Os óculos levantaram-se e o vestido foi logo atrás. Decidiu seguir os dois.

Dirigiam-se a passos convidativos para o lobby do hotel e entraram no elevador. Esperou ansiosamente que os dígitos avançassem. Sexto andar. Chamou de novo o elevador e entrou apressado. No canto do espelho, um 7 escrito a batom vermelho confirmava as intenções.

Quando bateu, com a suavidade possível, na suite 607 verificou que a porta não estava fechada. A penumbra do interior contrastava com a frescura do ar condicionado. As cortinas corridas deixavam passar apenas a luz suficiente para que se visse no chão o vestido branco. Em cima da mesa os óculos escuros. Mais à frente, uns sapatos perdidos e logo depois uma fina lingerie em tom pérola desejo, indicavam o caminho do quarto. Seguiu as indicações e entrou. A escuridão era a mesma, mas a nudez escultural daquele bronze excitante, contrastava com o branco do lençol.



Sem perguntas despiu-se também e exibiu com vergonha toda a excitação daquele jogo. Ardia em vontade e precisava do toque daquele corpo. Aproximou os seus lábios da boca contrária e viu pela primeira vez a luz daqueles olhos. Como se isso fosse possível, sentiu o desejo a aumentar ainda mais.

Quando as peles se tocaram o arrepio foi tão grande que gemeram em conjunto. Enrolaram-se em danças de descoberta e deixaram-se conhecer por todos os poros. Entrelaçados como um só fundiram as suas vontades numa doce penetração. Sentiram o tempo a parar. Só eles se mexiam. Trocavam lideranças, imprimiam vontades, expeliam desejos. O porquê de estarem vivos parecia ter todo o significado naquele momento.

Passearam por toda a suite, experimentando lugares e posições. Gemiam, gritavam, suavam e entregavam-se com a verdadeira vontade de quem não deve explicações. Quando a altura lhes pareceu indicada, deixaram fluir toda a energia num gesto final. O espasmo de cada orgasmo, provocou ondas de prazer até às pontas dos dedos. Com a calma da vitória, deixaram que os corpos se desligassem lentamente.

Com a naturalidade dos momentos intensos deram um abraço de despedida. Perceberam pelo toque que nunca mais se voltariam a ver e só não chegaram a perceber que nem sequer falavam o mesmo idioma. As palavras não tinham sido necessárias.


Não temos culpa

Somos latinos. Fervemos no borbulhar da raiva o sangue quente que nos comanda a vida e somos notícia mundial. Seja pelo futebol, seja pela tourada, que andam de mãos dadas nos nossos acontecimentos diários e fazem as delícias dos nossos hábitos, o mediatismo é inquestionável. No desporto rei, os milhões de uns marcam golos na baliza da crise e deixam sobressair os factores verdadeiramente importantes:




Em termos de faenas, o país dos costumes que já não são assim tão brandos não esquece as suas tradições e enquanto as altas chefias fazem questão de o lembrar no parlamento, outros queixam-se dos coices e pontapés que os afastam da pátria amada. Troca-se a tourada por samba, que futebol há lá muito, e o resultado é quase o mesmo. A propósito, fica o que é verdadeiramente bom:





P.S. - Obrigado pelo empréstimo.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Sabores cá de casa






Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Um deles era eu

Dois trambolhos, um era zarolho
Deram as mãos. De uma só criança

Fizeram a esperança que queriam alcançar
Pularam barreiras
....................saltaram fronteiras
Dois trambolhos, um era zarolho


Dois paspalhos, um era espantalho
Gritaram vozes de revolta

Abraçaram causas sem retorno
Abriram fossas
....................causaram mossas
Dois paspalhos, um era espantalho


Dois parolos, um era mais tolo
Desceram à cidade da vida

Apanharam autocarro de cultura
Ergueram decisões
....................criaram confusões
Dois parolos, um era mais tolo


Dois totós, um nem tinha voz
Votaram partidos. Cruzaram errado

Feriram de morte o amanhã
Fecharam torneiras
....................baixaram viseiras
Dois totós, um nem tinha voz


Dois camafeus, um deles era eu
Rasgaram espelhos de confiança

Arrombaram cofres de palavras
Escreveram tontice
.....................riscaram parvoíce
Dois camafeus, um deles era eu