Contos deste Ano #1

História de um outro Inácio

Inácio, também por rima Pancrácio, dava ares de galináceo nas suas feições de esperança. Dono de altiva ingenuidade era na verdade, um adulto em recheio de criança. Nascera fino de grossura, mas fazia da sua postura, a crença da sua faiança, pese embora a pouca bonança. Ah! Ainda fazia da envergadura, a crise de uma verga dura numa apatia sem ponta, onde o que interessa é a altura e não o tamanho da conta.

Vivia então assim, na ilusão do rico pobre, que pensa sempre chegar ao fim, mas nem todos os meses sabe se cobre. Escrevia coluna social, que dava para os gostos e gastos. Não escrevia nem bem nem mal, mas fazia da opinião, afinal, a leitura de seguidores vastos.

Frequentava altas patentes em festas e ocasiões destas, mas cerrava sempre os dentes pelo esforço dos gastos latentes, florido de apertos e economias funestas. Mas eram ossos do ofício e tinha de picar ponto em presença, cobria de esforço o sacrifício e lá golpeava os ilustres com estocadas da sua crença.




Certo dia, agora exposto, estava o autor na amargura de não ter sumo na fruta nem matéria-prima desde Agosto. No jornal a coluna parada, fazia da escrita de Inácio, sempre com muito opiáceo, a sequela da história inventada. Precisava da luz a visão e na falta de abanão social, fez-se afoito à aventura da estrada e ao destino deitou mão. Deu-se mal.

Meteu foice em seara importante e galgou saias de esposa fina, conseguiu história em semana gritante, mas acabou depois diletante de uma tal de Madame Lina. Ficou da lembrança o mais giro e acabou mal tinha começado, pois marido resolveu questão a tiro e se esta página mais não viro é porque se finou o autor trespassado.

Termina assim coluna social, de um Inácio à procura de seiva. Incompetente no coiso e tal, escrevia nem bem nem mal pois nascera em berço de eiva. Moral da história pedante: não se procura destino forçado, mas espera-se acontecimento traçado em desígnios de acaso ofertante.

2 Bilhetes Comentados:

Anónimo disse...

Mais outro texto em que o autor se supera :) Muito bom e muito bom fazer uma pausa a lê-lo.

Anónimo disse...

pode-se perguntar donde (ou de quem) veio esta grande inspiração?
Very cool!
Bravo Zulu!